Flauta de Luz nº 9

Junho de 2022 – 336 pp. – 12 €

Director e editor: Júlio Henriques

Design gráfico e paginação: Gonçalo Mota

Pintura da capa: José Miguel Gervásio

19 x 24 cm – ISSN 2183-9948

Distribuição: Antígona

Apesar da proximidade temporal com as mais recentes barbaridades bélicas europeias (a Guerra dos Balcãs, há 30 anos), a guerra parecia ter desaparecido do nosso horizonte, «orientada» para paragens mais distantes. Mas o ciclo infernal das desmesuras euro-americanas voltou à carga, não lhe sendo estranho o insistente expansionismo para leste do capital ocidental, que pretende manter a sua hegemonia, a começar pela do poderio militar-nuclear.

O nº 9 desta revista abre com três artigos sobre a guerra na Ucrânia (de Corsino Vela, Jorge Leandro Rosa e Charles Reeve), procurando situar as estranhezas que configuram esta nova guerra europeia, a qual se nos apresenta como mais um terrível indicador do grau de impossíveis atingido pelas sociedades de espectadores. Este novo contexto de devastações é correlacionável com a análise seminal de Langdon Winner sobre «A complexidade tecnológica e a perda de acção», com o estudo interrogativo de Phil Mailer, «Internet, motor do capitalismo?», com o ensaio de Bruno Lamas sobre «O colapso da modernização» ou com o artigo de Pedro Caldeira Rodrigues dedicado a Julian Assange» e à censura da informação sobre a guerra.

Este número inclui «A Viagem pela Vida», organizada pelo movimento zapatista, que percorreu grande parte da Europa, incluindo Portugal. O caderno a cores «Presença de Artur Varela», dedicado à obra deste artista português cuja dimensão contestatária levou ao seu silenciamento. Duas intervenções do porta-voz indígena brasileiro Ailton Krenak em torno da co-responsabilização da humanidade na nossa relação com a Terra. O descobridor ensaio de Antonio Pérez, «Os indígenas são anarquistas?». O texto de Eugenio Castro, «Fazer mundos: os jardins ideais», sobre arte popular em Espanha e Portugal. A entrevista com Luísa Cruz e Homero Cardoso (co-fundadores da cooperativa editorial Assírio e Alvim), a respeito da loja de Arte Popular Portuguesa que mantiveram em Lisboa. O documentado «retrato» de Pedro Silveira, «Da peste eclesiástica: práticas reiteradas de pedofilia na Igreja Católica». O estudo de Erick Corrêa «De Lénine a Cunhal: a maldição do esquerdismo».

Contém ainda um dossiê informativo sobre a guerra na Ucrânia, dando voz às correntes anarquistas e pacifistas activas na Rússia e na Ucrânia, poemas, textos de ficção e notas de leitura, contando com a participação de um conjunto de artistas plásticos.

Integram este número, além dos autores citados: Amanda Booth, Agustín García Calvo, Eloy Santos, Fernando Gonçalves, Francisco Norega, Gary Snyder, Jan Zwicky, Joëlle Ghazarian, José Amaro Dionísio, José Feitor, José Janela, Júlio do Carmo Gomes, Lina Kostenko, Luciano Moreira, Luísa Assis, M. Ricardo de Sousa, Manuel Rodrigues, Maria Manuel Restivo, Mauricio Centurion, Michael S. Harper, Miguel Brieva, Nik Holliman, Pedro Morais, Quim Sirera.